sexta-feira, 22 de abril de 2011

Versões

Nós mudamos, nos reinventamos e fazemos “versões” de nós mesmos a todo o tempo. Cada uma dessas versões é de acordo com o momento que vivemos e por isso nenhuma versão fracassa, ela apenas não é permanente, pois o momento não é permanente. É injusto culpar alguma dessas versões por algum acontecimento. Tudo é parte da construção daquilo que somos e todas as versões são necessárias para sabermos no fim das contas qual delas “funciona” melhor. Cada momento de vida que temos é composto por um conjunto de objetivos, convicções, princípios, paradigmas e o principal: necessidades!
Temos uma necessidade diferente a cada momento e isso é o que define todo o resto. Acreditamos, pensamos e agimos de acordo com as nossas necessidades. A grande arte não está em mudar em si, mas sim em saber identificar as necessidades do momento em que vivemos, pois muitas vezes não julgamos corretamente, damos importância demais ao que é dispensável e não conseguimos perceber aquilo que realmente precisamos, e se eu tiver que arriscar um motivo, aposto no comodismo necessariamente alimentado pelo medo, e não é o medo que nos faz ser prudentes e sim o medo que nos retém. É como dizem: “a diferença do veneno e do remédio é a dose” e saber dosar feliz ou infelizmente não é a maior qualidade humana. Sem o erro não há o acerto e vice-versa. Todas as versões são necessárias!
Algumas vezes mudamos muito. Algumas vezes mudamos tanto que quase não se reconhece a versão original. Quase, a essência daquilo que realmente somos permanece onde deve estar. É como um sucesso dos anos 80 regravado por diversos artistas. Muda-se o arranjo, muda-se o intérprete e até o ritmo, por vezes mais calmo, por vezes agitado... E quantos sucessos do rock não se tornaram canções suaves e até mesmo românticas? Comparações a parte, música boa é música boa em qualquer versão, mas quando você acha a versão que mais te agrada de uma música (e de si mesmo) é aí que você não para de escutar mesmo, ou pára, quando encontrar uma versão que agrade mais!

Tiago Giacomoni

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