terça-feira, 19 de abril de 2011

Sozinhos

Sozinhos. Há quem diga que iniciamos e terminamos a vida sozinhos. Detalhes a parte, passamos o intervalo procurando companhia. Não gostamos de ficar sozinhos e por isso precisamos do apoio, da companhia, somos uma espécie que precisa viver em grupos ou pares para sobreviver. E o que nos difere dos outros animais? A ilusória racionalidade? E onde está essa maravilha quando simplesmente tomamos decisões erradas, quando complicamos tudo aquilo que é simples e quando causamos danos nos outros e em nós mesmos?
O instinto natural de qualquer animal que vive livre é reproduzir, é atacar quando se sente acuado e procurar um grupo de semelhantes, não necessariamente nessa ordem. Vivemos livres, buscamos a reprodução (mesmo que só na tentativa, na busca pelo prazer) atacamos quando nos sentimos acuados e vivemos buscando um grupo, uma forma de não vivermos a sentença inevitável de estarmos sozinhos. Há um medo enorme dessa realidade, de conviver somente consigo mesmo e de encarar verdades que só se dizem para si próprio porque às vezes algumas verdades causam vergonha de si próprio. E esquecemos que somos humanos e que temos vícios, virtudes, erros e acertos. E esquecemos que somos também animais, e temos os mesmos instintos que qualquer outro animal livre... A diferença é que qualquer outro animal se machuca e aprende. Nós, nem sempre. A diferença é que temos a mania de pensar que pensamos. Pensar pode ser uma dádiva, ou uma praga, só depende do ponto de vista.
Viver é uma responsabilidade grande demais. Geralmente não gostamos de responsabilidade, fugimos dela e talvez por isso tenhamos tanta necessidade de não ficarmos sozinhos, pois, é mais fácil transferir a responsabilidade para outra pessoa do que sermos responsáveis por todos os nossos atos. E aí formamos justificativas que não justificam e tomamos decisões de mudança onde nada muda. Precisamos de parâmetros, precisamos de vida pra saber se tomamos a decisão certa, precisamos conviver para saber o que nos é lícito ou não. E não há nada de errado nisso desde que se viva com a consciência e com a responsabilidade de que todos os nossos atos geram conseqüências, já que vivemos em grupos. E no fim das contas, a vida em grupo é bem mais animada.

Tiago Giacomoni

Nenhum comentário:

Postar um comentário