Vida útil
Como sempre digo, penso que complicamos demais as coisas. Damos importância demais aquilo que não é importante, deixamos de nos importar com aquilo que realmente importa e no dedicamos demais aquilo que não exige (e algumas vezes não merece) dedicação.
Tudo tem uma vida útil, um prazo de validade mesmo que invisível, coisas, pessoas, posturas... E não é nem questão do considerarmos tudo como perecível, mas é questão de tudo ter uma história própria, ser aquilo que é e se adequar ou não aquilo que nós somos no momento em que vivemos e de acordo com o que precisamos. Pessoas, um bom exemplo. Pessoas não são perecíveis, apenas tem um prazo determinado de permanência nas nossas vidas que pode ou não se prolongar e pode ou não reaparecer, porém, sempre tem um prazo, que não é pré-determinado e nem previsível, considerando-se principalmente que nesse caso, são duas histórias: a nossa e a da outra parte envolvida. Nem sempre o momento final da “validade” parte de nós e é justamente por isso, por serem duas histórias ou mais, envolvidas na nossa própria história. O grande problema é a dimensão que damos pra isso, pois quando se tem a consciência de que tudo tem uma vida útil, torna-se mais racional aquele que já espera pela “expiração” do prazo, porém, quando não se tem essa consciência e se baseia somente nesse momento como “grande momento” e o considera permanente, o final é doloroso e frustrante.
Tudo muda constantemente conforme as nossas necessidades. Gosto de exemplificar com pessoas porque como todos têm uma história, necessidades e momentos próprios não é possível prever ou garantir a permanência de alguém nem condicionar nada aos nossos objetivos. E não é questão de não sentir, mas de realmente conseguir ver que nem sempre as coisas são como queremos, as pessoas são livres e, Deus, NÓS SOMOS LIVRES! E somos livres pra tomar decisões, acertar contra todas as previsões, errar contra todas as expectativas, retroceder, reinventar e tentar de novo! E que merda é essa de tornar tudo um erro irreversível? Tudo é reversível, tudo é mutável e tudo, absolutamente tudo tem uma forma diferente de se fazer e um ponto de vista diferente.
E aqui não entram méritos de certo ou errado, “coisificar” ou não as pessoas, tornar banais ou não as situações vividas, porque o que realmente importa talvez continue lá, permaneça intacto e imaculado e continue sendo importante e o que tenha mudado seja apenas a necessidade daquilo naquele momento ou a sua vida útil que possivelmente tenha, mesmo que temporariamente, deixado de existir!
Tiago Giacomoni
Ótimo texto! A mudança é vista como uma palavra pesada principalmente quando imposta. Mas ela é necessária para renovarmos,repensarmos nossos objetivos e nos transformarmos em pessoas melhores. O sentimento é inevitável nas relações, mas quando as lembranças são boas guardamos em uma caixinha especial em nossa memória e frequentemente acessamos para lembramos que deixamos para trás pesssoas que fizeram diferença em nossas vidas!! um beijooo
ResponderExcluirmeu prazo de validade acabou pra vc :(
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